Os trabalhadores mais insatisfeitos com o seu trabalho são
os que apresentam consumos mais elevados de substâncias, o que tanto acontece
no tabaco e no álcool, como em medicamentos (sedativos, tranquilizantes ou
hipnóticos) e drogas ilícitas, revelam dados do estudo Consumo de substâncias psicoativas
na população laboral, apresentado esta quarta-feira em Lisboa. Ainda assim, o
emprego parece funcionar como um fator protetor quando se avaliam os consumos
entre a população desempregado que atinge níveis mais elevados, sobretudo no
tabaco e no álcool.
Além da insatisfação
no trabalho há outros fatores laborais que surgem associados a uma maior
prevalência de consumos – é o caso do vínculo laboral. Olhando, por exemplo,
para o consumo excessivo de bebidas alcoólicas constata-se que a diferença
entre quem é precário e quem tem vínculo à empresa é grande: no caso dos homens
apresentam consumo nocivo de álcool 32,5% dos trabalhadores sem vínculo, face a
17,9% dos que o tem, no caso das mulheres a diferença existe mas é mais ténue,
entre 10,6% (sem vínculo) e 8% (com vínculo).
Os desempregados apresentam prevalências de consumo de
substâncias mais elevados do que as pessoas que estão empregadas. Isso é
especialmente notório nos homens no caso do tabaco, em que 53,3% dos
desempregados dizem fumar, face a 33,8% das pessoas empregadas. No caso do
consumo excessivo de bebidas alcoólicas a diferença é entre 20,7% nos
empregados e 22,9% no caso dos desempregados.
Os inquiridos do estudo respondem que nas empresas onde
trabalham não são feitas ações de prevenção e controlo de consumo de álcool e
drogas no local de trabalho. São 79% os que dizem que não existe qualquer
regulamento sobre o seu uso no local de trabalho. Ainda mais inquiridos (87,6%)
dizem que no seu trabalho não foi realizada qualquer ação de prevenção sobre
esta questão. “Há muito para fazer nesta área”, admitiu o diretor do Sicad,
João Goulão.
Quando à realização de testes para a deteção de consumo de
álcool e drogas ilícitas, a percentagem dos que dizem que nunca foram feitos
ronda os 90%. Manuela Brito, médica do Sicad no Porto, sublinhou que é preciso
ter cuidado em relação à forma como os testes de despistagem de drogas e álcool
podem estar a ser usados em meio laboral. A clínica disse “que estão a receber
cada vez mais relatos” de trabalhadores que dizem que estes testes não são
feitos pela medicina no trabalho, mas “por chefias diretas” e “que são usados
como forma de chantagem contra o trabalhador”.
Fonte: Catarina Gomes
25/06/2014 - 16:51 - Publico
Interpretação da notícia:
Esta notícia relaciona a produtividade laboral com o consumo
de substâncias. O autor do estudo aponta como principais causas para o fenómeno: a
insatisfação no trabalho e a curta duração do vínculo com a empresa, portanto
podemos concluir que estes fatores levam a um desgaste psicológico que
consequentemente poderá afetar a vida pessoal e social dos intervenientes.
Os recursos humanos têm um papel fundamental nestas
situações pois poderão ter impactos tanto positivos como negativos nos
trabalhadores. Por isso mesmo é que os gestores têm o grande poder de tornar
uma pessoa/trabalhador feliz ou infeliz, pois é importante conseguir transmitir
a um colaborador que tem confiança nele e que é um elemento fulcral na
organização.
Quando não há transparência é difícil conseguir entrosar os
vários colaboradores dentro da empresa. Podemos interpretar que a felicidade
dos trabalhadores nos cargos que ocupam afetam a sua vida pessoal e o seu
comportamento para com a sociedade.

É lamentável observar ao que, o facto de estarmos insatisfeitos no nosso local de trabalho, pode levar sem termos consciência do quão nefasto poderá ser para o trabalhador e consequentemente a empresa no geral.
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