Gestão de Recursos Humanos não é mais do que a utilização eficiente dos colaboradores através do uso efectivo dos seus talentos e habilidades com vista a atingir os objetivos da organização sem esquecer o bem-estar dos próprios colaboradores, mais do que a utilização eficiente dos colaboradores através do uso efectivo dos seus talentos e habilidades com vista a atingir os objetivos da organização sem esquecer o bem-estar dos próprios colaboradores.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

A despedida de Belmiro de Azevedo




A 20 de Março de 2007, no mesmo mês em que a Sonae saiu derrotada da OPA sobre a PT, Belmiro de Azevedo anunciava a sua decisão. Deixaria de ser presidente executivo da Sonae, passando a função ao filho Paulo Azevedo. Belmiro ficaria chairman. O anúncio foi feito ao lado de Ângelo Paupério. Oito anos depois, novo anúncio. Belmiro de Azevedo deixará, esta quinta-feira, 30 de Abril [2015], de ser chairman, passará a função ao filho Paulo que, com Ângelo Paupério, ficará também com funções de presidente executivo. Chegou a hora de Paupério, de Paulo, mas também de Belmiro. A hora de sair.

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A Sonae tem um volume de negócios de cinco mil milhões de euros, a que se junta a Sonae Indústria e a Sonae Capital. No conjunto das três empresas, o nome Sonae realiza mais de seis mil milhões de euros de negócios em mais de 70 países. E são quase 45 mil colaboradores, cerca de 40 mil em Portugal. Não revela o valor acrescentado bruto que gera para Portugal, mas algumas estimativas apontam para um peso do agregado Sonae de perto de 10%, contribuindo para um pouco menos de 0,8% da população activa em Portugal.

A Sonae começou pequena. Nasceu a 18 de Agosto de 1959, pelas mãos de Afonso Pinto de Magalhães, com sede provisória na Rua do Vale Formoso, no Porto, para o fabrico de estratificados a partir de engaço de uva, uma patente francesa. Quase levaria a Sonae à falência, não fosse Pinto Magalhães ser dono de um banco. Do estratifite a Sonae passa, progressivamente, para o laminite, um termolaminado decorativo à base de papel. Mas ainda não era a salvação. Faltavam, conta-se na história da empresa (perpetuada no livro "Retrato do Grupo"), quadros técnicos. E para essa mesma história fica, então, o dia em que Belmiro de Azevedo entra na empresa: 2 de Janeiro, a convite de António Correia da Silva que, mais tarde, diria: "Foi a pessoa certa na altura certa, com capacidade para avançar e ajudar a empresa na sua recuperação".

Belmiro de Azevedo conta muitas vezes, e fê-lo mais uma vez no discurso que marcou os 50 anos na Sonae, e que foi, também, o de despedida, que a sua primeira missão foi destruir o que estava feito. 

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Os sucessos, esses, são também falados por Belmiro, que assenta os elogios à capacidade dos quadros da empresa e à constante formação. Isso mesmo fez o empresário, ainda gestor quando, em 1973, rumou a Harvard. "Tivemos muitos sucessos durante esta história, em que aprendi que, para prosperar, temos de estar em constante processo de mudança e de melhoria contínua", realça Belmiro, 50 anos mais tarde. Que volta a falar de outro que considera um dos seus grandes êxitos. Levar quadros da Sonae a emanciparem-se e criarem os seus negócios. A serem, eles próprios, empreendedores. No discurso de despedida, fala de Benjamin Santos (da Indasa), Romão de Sousa (Proadec e Isar-Rakoll, mais tarde Probos), Carlos Moreira da Silva (BA Vidros), Pinto de Sousa Ibersol, Jaime Teixeira (Orbitur), David Moreira e João Barros (Selfrio), António Murta (Enable). "Passaram por esta casa e geram hoje facturações na casa dos mil milhões de euros e empregam cerca de 15 mil pessoas". Alguns destes "filhos" Sonae continuam ligados à empresa, ou como fornecedores ou como administradores não executivos. Moreira da Silva regressou, agora, nesse papel à Sonae Indústria.

António Murta, ao Negócios, mostra-se surpreendido por estar incluído nesta lista. "Sem excesso de humildade, sinto-me honrado", diz quem liderou na Sonae a Enabler, empresa de tecnologias, vendida por mais de 40 milhões à indiana Enabler. Agora assume-se como um pequeno empresário, mas garante: "Sou filho da escola Sonae". Cita Jaime Teixeira para comprovar a tese de que na Sonae é-se empresário por conta de outrem. Ao fim do mês recebe-se o cheque do ordenado do contratante, mas "todos nós tratávamos [o negócio] como se fosse nosso", diz Murta.

Foi, também, esse o caminho de Belmiro de Azevedo. Entrou na Sonae como empregado, saiu como patrão.

Notícia na íntegra: http://www.msn.com/pt-pt/financas/negocios/a-despedida-de-belmiro-de-azevedo/ar-BBjcGoq?ocid=mailsignoutmd

Interpretação da notícia:

- O Homem e a Empresa:
Belmiro de Azevedo não é, certamente, um nome desconhecido entre os portugueses e no mundo empresarial, ora conhecido por ter sido durante vários anos um dos homens mais ricos de Portugal, ora pelas suas práticas de gestão. A sua empresa, Sonae, é uma das maiores alavancas económicas do país actuando em vários sectores de atividade.

- Filosofia da Gestão:
Como referido na notícia (ver o artigo na íntegra) a sua referência na área da gestão é Jack Welch, CEO da gigante General Electrics, isso demonstra uma capacidade de humildade e de auto-reconhecimento das suas capacidades (e falhas), e consequentemente de querer sempre melhorar mais profissionalmente.

- Ascensão na carreira:
''o dia em que Belmiro de Azevedo entra na empresa: 2 de Janeiro, a convite de António Correia da Silva que, mais tarde, diria: "Foi a pessoa certa na altura certa, com capacidade para avançar e ajudar a empresa na sua recuperação".''
Nem todos os grandes empresários de sucesso têm a sorte de nascer num ''berço de ouro'', tal como Belmiro de Azevedo que era filho de um carpinteiro e agricultor e de uma costureira, contudo depois de se licenciar pela UPorto em Engenharia Química Industrial tirou outro curso em Gestão de Empresas, enquanto trabalhava na Efanor. Anos mais tarde foi convidado a trabalhar na Sonae como investigador, chegando anos mais tarde ao topo da empresa.

- Confiança nos seus colaboradores e parceiros:
Belmiro de Azevedo é um homem com ideias fixas e com a sua própria filosofia, dizem os seus colaboradores e parceiros mais chegados, e todos são unânimes quando argumentam que a Sonae, mais que um parceiro, é uma escola. Orientou-se, ao longo da sua vida, por referências, agora ele próprio é uma referência no mundo da Gestão!

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